Laranja do céu

“É o senhor que está ouvindo Roberto, seu Vilson?”

“Sou eu, você gosta?”

Depois de um mês e meio ouvindo mantras, kirtans e bhajans, Roberto Carlos foi totalmente bem-vindo.

“Eu amo Roberto, seu Vilson!”

“Então eu vou aumentar. Eu gosto muito também, todo sábado eu escuto.”

As Curvas da estrada de Santos começou a tocar mais alta, e eu também aumentei a voz e comecei a cantar, concentradíssima, enquanto varria as folhas secas do pátio.

Seu Vilson mora na pensão que fica parede com parede de onde estou morando. Ele vende frutas nas ruas de Porto Alegre, já me deu um monte de laranja do céu e duas bananas. “Ei, vou te dar dois celulares, quer?”, e estendeu as bananas pra mim. Depois, sorrindo sem os dentes da frente, bateu a ponta do dedo indicador na bochecha, pedindo um beijo. Dei.

“Ô menina, bom dia!”, eu ouço toda vez que saio pra rua, e “bom dia pro senhor também, seu Vilson”.

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