Faintly falling – observações sobre “Os mortos”, de James Joyce

“Os mortos”, conto de James Joyce que faz parte do Dublinenses, nos conduz por um percurso excitante, alegre e cheio de expectativas que termina em um tom soturno de melancolia e escuridão. É bastante interessante observar os elementos selecionados pelo autor para atingir esse objetivo e entender, nesse contexto, a morte, inescapável, como o oposto do amor.

Os primeiros parágrafos constroem uma atmosfera animada: um baile repleto de convidados, organizado pelas irmãs Morkan – Julia, Kate e Mary Jane. Lá fora faz muito frio, é época de Natal e neva como há muito não nevava em toda a Irlanda, mas dentro do salão a luz é acolhedora, e as conversas, calorosas. Os personagens vão sendo apresentados conforme chegam ao evento e a partir de sua interação com as anfitriãs, e é assim que conhecemos Gabriel, figura que tomará logo o lugar de destaque e mediação do conto. Percebemos lentamente, a cada ação ou fala de Gabriel, seu temperamento carinhoso e solícito e sua postura cordial perante as tias, como homem instruído e acadêmico – o preferido delas. Gabriel é filho de Ellen, uma irmã das três, já falecida, e aí está uma das primeiras menções da morte no conto.

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Dica Microclima de bem-viver

Francesco Petrarca – santo padroeiro dos sonetistas.

Sabemos – e se tem alguma coisa com que todos concordemos é – que não está fácil. Como se já não bastasse a zona da “vida pública” temos nossas questões pessoais, aquelas que nos tiram o sono e as únicas que têm o poder de dominar todos os espaços do nosso pensamento, até os mais escondidos espaços.Nas mais improváveis sinapses – tcharam – lá está aquela insistente questão pessoal, uma lombadinha, um buraco.

Semana passada foi assim sem muita paz (porque, se posso dizer que tenho um dom, é o de fazer pequenas questões se tornarem monstros indomáveis). Estava diante de questões aparentemente sem solução, dessas que dependem de outras pessoas e não há muita coisa que possamos fazer.

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