Dica Microclima de bem-viver

Francesco Petrarca – santo padroeiro dos sonetistas.

Sabemos – e se tem alguma coisa com que todos concordemos é – que não está fácil. Como se já não bastasse a zona da “vida pública” temos nossas questões pessoais, aquelas que nos tiram o sono e as únicas que têm o poder de dominar todos os espaços do nosso pensamento, até os mais escondidos espaços.Nas mais improváveis sinapses – tcharam – lá está aquela insistente questão pessoal, uma lombadinha, um buraco.

Semana passada foi assim sem muita paz (porque, se posso dizer que tenho um dom, é o de fazer pequenas questões se tornarem monstros indomáveis). Estava diante de questões aparentemente sem solução, dessas que dependem de outras pessoas e não há muita coisa que possamos fazer.

Ok, ok, nada de novo até aqui. Todo mundo tem questões, dúvidas, problemas sem solução e bichinhos que viram monstros.

O que interessa é que a Microclima Soluções Literárias Ltda. descobriu uma maneira de esquecer que esses problemas existem! Se eles dependem de fatores que escapam à nossa ação e não há nada que possamos fazer além de roer as unhas e destruirmos, sozinhos, a nossa sanidade mental, precisamos fazer alguma coisa enquanto o mundo gira e eles se resolvem.

Tipo um soneto! Sim, um soneto. Isso mesmo, um soneto. Composição poética de versos decassílabos (prefiro os decassílabos) ou alexandrinos, todos iguaizinhos em seu ritmo. Quatro estrofes – dois quartetos e dois tercetos, com rimas emparelhadas, entrelaçadas ou opostas. O tema do soneto não precisa ser necessariamente o mesmo que lhe atormenta – mas, se for, você vai ver, no fim das contas, como é um tema sem importância.

Este é o ponto, amigo leitor/escritor: tudo na vida parece muito difícil até você resolver escrever um soneto. Todos os problemas parecem insolúveis, impossíveis e espinhosos até você se ver sentado na frente de uma folha de papel em branco – ou de um documento em branco do Word –, contando obsessivamente as sílabas, abrindo o dicionário de rimas para buscar a palavra menos clichê que rime com.

Tudo parece vão e sem importância quando você precisa reduzir duas sílabas métricas do seu verso mantendo o tema e o tom do soneto. Você anda na rua contando sílabas nos dedos. Você pega o ônibus contando as sílabas nos dedos. Na fila do caixa. No elevador. Os dedos da mão direita vão tocando o polegar da mesma mão, num mesmo ritmo, enquanto a cabeça repassa palavra por palavra.

Pode parecer um pouco aflitivo para o leitor, mas garanto que escrever um soneto é menos aflitivo do que alimentar o monstro da sua imaginação – pelo menos escrever o soneto leva a… um novo soneto.

Não vou postar aqui o soneto que compus esses dias porque ainda não terminei de escrevê-lo: ele anda me atormentando a vida, tirando o meu sono e me fazendo agir como uma louca em público. Mesmo assim, devo confessar que todos os meus outros problemas praticamente deixaram de existir…

:p

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