pasta MEMORÁVEIS

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Um hábito que tenho há muito tempo, mas fazia errado, é colecionar meus trechos favoritos dos livros. Esses dias postei uma foto de um livro que estava lendo, uma amiga me perguntou sobre as etiquetinhas e resolvi escrever sobre isso com mais detalhes. Faço isso principalmente para relembrar e ter esses trechos sempre à mão, esses pedaços do livro. Servem para consulta, para inspiração e, no fim, essas notas viram referência na construção de novas narrativas e de comparações.

Eu era bem desleixada e fazia orelha nas páginas que queria marcar. O resultado não era muito bom porque, além de as páginas ficarem marcadas para sempre, dificultava o manuseio do livro e, pior, como era só a orelha em cima ou embaixo da página que estava dobrada, eu não sabia identificar depois qual era exatamente o trecho amado – o tempo passa e a gente esquece, hoho.

Aí descobri sem querer essas etiquetas-seta – atrasada demais, a primeira vez que as usei foi neste agosto –  e achei maravilhoso, porque dá para marcar exatamente a linha em que começa o trecho que queremos destacar sem machucar o livro e sem esquecer o trecho.

Como o Grandes Esperanças é enorme (sic), e é o livro que estreei essa marcação, deixava sempre um montinho delas colado na contracapa do livro. Ao identificar um trecho glorioso que merecia destaque, tirava uma etiqueta e colocava na página, na linha, pontualmente.

Até aí, nenhuma novidade (acho que fui a última pessoa do Brasil a descobrir esses post-its).

Interessante é a sequência.

Depois de terminar o livro, é hora de reler os trechos, estudá-los, copiá-los. Acabei hoje os trechos do Dickens, eram muitos!, e reparei coisas muito interessantes, que todos podemos reparar no momento da revisita.

Costumo abrir um documento em branco, anotar título e autor, as datas em que comecei e terminei a leitura, o primeiro parágrafo (é uma coleção muito interessante a de primeiros parágrafos), os trechos e suas páginas e, para encerrar, o parágrafo que encerra o livro.

Na maioria das vezes é possível lembrar o porquê de havermos selecionado tal trecho, mas em outras a gente lê, relê, trelê e se pergunta “por que destaquei isso aqui?”. Certa vez tentei deixar isso anotado também, mas desisti, porque é legal descobrir depois. É interessante lembrar onde estávamos quando marcamos o trecho e por que momento de vida passávamos, relacionando o livro com o nosso dia a dia, e com as razões que nos fizeram ficar admirados. É muito bom, também, conseguir reter, nem que seja um pouquinho – palavras, cenas, descrições –, os pedaços do livro que amamos na memória.

Talvez dê preguiça sentar e ficar copiando. Mas insista, concentre, coloque uma música calma – ou nenhuma – e percorra esse caminho pós-leitura. Dependendo do livro isso leva tempo, mas é um tempo muito útil. Os trechos viram excelentes materiais de estudos e de consulta. Graças a eles tenho uma coleção muito legal de primeiros e últimos parágrafos, de descrições de personagens e de cenários.

Um amigo me disse que outra boa ideia seria tirar fotos dos trechos, ou dar print na tela. Não sou muito tecnológica, mas discordei porque acho mais legal fazer o texto passar literalmente por nós. Entrar por nossos olhos e sair na ponta dos dedos. Sendo meio místicos, podemos pensar que essa “passagem” cria uma relação mais aproximada, uma atenção diferenciada.

Depois é só salvar o arquivo com o título do livro dentro da pasta MEMORÁVEIS, no Desktop.

Para fechar, deixo a imagem do resultado final e, de brinde, um dos trechos amados do Grandes Esperanças.

memoraveis

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