Surpresa

Saindo do metrô Alto do Ipiranga, onze da manhã, um homem se aproxima. Ele segura uma rosa vermelha enrolada no celofane e duas mochilas que pareciam bem pesadas e cheias de coisas.

Ele de aproxima de mim e pergunta:

“O Museu do Ipiranga está longe?”

Respondo que está.

“Você vai andando até lá?”

“Andando, de ônibus, voando. Eu vou encontrar o amor da minha vida! Vou fazer uma surpresa e levar ela para almoçar”, ele respondeu, e tinha um brilho tão contagiante nos olhos, que quase pedi pra ir junto.

Ele ia falando enquanto procurava algo nos bolsos e em uma das mochilas. A rosa, protegidíssima, na mão. Achei que ainda diria algo e não me afastei até ele desdobrar um papelzinho, ler e me mostrar o endereço.

“Vixe, essa rua é um pouco mais longe, é melhor você pegar um ônibus. Pega ali naquele ponto, ó.” – Respondi, apontando.

“Você tem horas aí? Que horas são?”

“São onze.”

“Ela sai onze e meia… Vou de táxi para chegar rápido e conseguir fazer a surpresa a tempo!”

Disse o homem, num êxtase que também me fez aumentar o tom de voz.

“Isso! De táxi vai rapidinho! Não dá nem dez minutos!”

“Mas antes vou ali fazer xixi, que estou muito nervoso!”

“Vá, boa sorte!”

“Obrigada”, apertando a minha mão, “obrigada, boa sorte pra você também!”

São cenas como esta que me fazem desistir de me locomover dentro de um carro, e mais ainda, que me deixam cheia de fé na vida.

<3

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