Writing about writing #3 – Texto aberto

Ontem publiquei aqui o terceiro capítulo do PLANO BAIXO, meu folhetim, minha série em capítulos cuja segunda temporada já está em negociação (heh). É uma ideia que tive lá por 2012: um roteiro de curta-metragem engavetado que nunca tive paciência de correr atrás para produzir, mostrar, vender ou inscrever em edital.

Ultimamente tenho me dedicado a ler, estudar e pesquisar, e coloco aqui a maioria das ideias e frutos dessas leituras. Por também trabalhar com texto, o tempo para escrever — para escrever, criar, exclusivamente — muitas vezes falta, porém, quanto mais leio e estudo, mais me dou conta da importância de praticar e exercitar a escrita. De escrever o máximo que puder.

Essa consciência me confirma que é necessária alguma disciplina para manter o ritmo e a criação acontecendo. Por mais que eu tenha lá uns 5 arquivos de textos de projetos maiores já começados, sendo escritos e reescritos, lidos e relidos, não é sempre que consigo me concentrar para desenvolvê-los como eles merecem. Então abri uma gaveta, achei o Plano Baixo, e me pareceu ótima a ideia de e comprometer com essa história para não perder o fio e não abandonar o exercício.

É legal imaginar que posso dar uma ideia a alguém que busca o mesmo, e mais legal ainda saber que alguns amigos acompanham a história e ficam contentes quando chega mais um capítulo. É legal ter um caderninho de anotações só para essa ideia e exercitar a imaginação com os milhares de rumos possíveis que a história pode tomar, e às vezes, mesmo sem ter muito claros esses rumos, é legal sentar para escrever e ver esses caminhos se abrirem.

Mas o mais interessante é poder fazer tudo isso com leveza e descontração por aqui. A ideia é mesmo abrir possibilidades de conversas novas e construtivas, pois em geral somos rabugentos demais e não gostamos muito de falar — isso quando conseguimos falar — quando o assunto é a nossa criação (ok, ok, alguns amam e só falam nisso, falo da outra parcela).

(Todo esse blablabla para dizer que) Na semana passada recebi uma mensagem muito especial de alguém que tinha lido os dois primeiros capítulos do Plano Baixo. Não sei quem é, sei que essa pessoa se dedicou a ler os capítulos e a me escrever sobre eles, apontando uma série de coisas que poderiam ser melhoradas no texto e entregando mais algumas dicas de presente.

Fiquei maravilhada com isso, porque, além de ser uma atitude generosa, a maioria das coisas que essa pessoa apontou faziam muito sentido (teve uma só à qual o meu apego não cedeu) — eram coisas que, racionalmente, não gosto nos textos em geral, mas que, distraidamente, cometi: manias, repetições, exageros que não melhoram em nada, tendências a revelar mais do que o necessário, clichês (ah, sempre eles!).

Depois desse contato fui reler mais uma vez os capítulos 1 e 2 do Plano Baixo. Além de repensar soluções para o que o meu crítico (tenho um crítico para chamar de meu!) me alertou, encontrei mais um errinho ou outro que haviam escapado na primeira, segunda, terceira, quarta… décima leituras. Ou seja, leitores do Micro: o primeiro e segundo capítulos contêm alterações. São poucas, talvez ninguém as perceba, mas sim, houve alterações.

Então retomo a leveza e descontração que o blog dá. Por aqui é possível editar as postagens e melhorar os textos, e isso acontecerá sempre que, hm, sempre que eu quiser — sem mudar o rumo da história, é claro. Sintam-se, meus 5 leitores, sempre à vontade para dar seus palpites, como se fosse a caixa-postal do programa da Xuxa.

 

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